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Prolapso de uretra em cães da raça
Bulldog Inglês
Relato de casos clínicos veterinário
Introdução
O prolapso de uretra é incomum nos cães.É
mais observado em animais machos jovens, braquicefálicos,
com maior incidência em cães da raça
Bulldog Inglês,mas já há relatos
em cães da raça Boston Terrier e
Yorkshire Terrier.
Normalmente acontece durante um período de excitação
prolongada, em que o animal promove o auto-traumatismo
da extremidade do pênis em objetos como
almofadas e travesseiros.
A existência de infecção genito-urinária
também pode levar ao prolapso. No entanto,a
fisiopatologia exata ainda é desconhecida.
Sangramento pelo pênis, de forma intermitente
e não associada à micção
é o sintoma observado pelo proprietário,
e que faz o animal ser levado ao veterinário.
O animal lambe excessivamente a ponta do pênis
e o orifício prepucial.
Há também a condição
do prolapso intermitente apenas quando o cão
apresenta excitação.
O diagnóstico é realizado através
do exame físico, observando-se a mucosa
protruída, que se apresenta como uma pequena
massa avermelhada na extremidade do pênis.
Os exames laboratoriais na maioria das vezes encontram-se
normais, podendo apresentar anemia em alguns cães
que apresentem sangramento crônico6. Urinálise,
cultura e antibiograma devem ser realizados para
exclusão de infecção do trato
urinário.
Coagulopatias devem estar entre o diagnóstico
diferencial. O prolapso uretral deve ser diferenciado
de outras causas de sangramento peniano como:
uretrite, fratura do osso peniano, cálculo
uretral, afecções prostáticas
e neoplasias.
Para o tratamento precoce do prolapso, pode ser
realizada a sua redução e realização
de uma sutura tipo bolsa de fumo no ósteo
uretral para reduzir seu diâmetro, de forma
que impeça a recidiva do prolapso, mas
não obstrua a saída de urina. Esta
sutura deve ser mantida por 5 a 7 dias.
A ressecção da porção
prolapsada da uretra é o tratamento de
escolha quando não é possível
a redução do prolapso, se o traumatismo
for extenso, ou mesmo nos casos de recidivas.
É realizada uma incisão através
das mucosas uretral e peniana até metade
de seu diâmetro, uma sutura fina e absorvível
deve ser realizada promovendo a aposição
da mucosa uretral ao pênis. A sutura pode
ser realizada de forma contínua (melhor
controle da hemorragia) ou em pontos simples separados.
Sangramento logo após a micção
ainda é observada após 7 a 10 dias
da intervenção cirúrgica.
Até a total cicatrização
deve ser evitado que o animal continue realizando
traumatismo ou mesmo que entre em contato com
fêmeas no cio.
Antibióticos sistêmicos devem ser
utilizados após a intervenção,
principalmente quando há infecção
urogenital. O emprego de relaxantes de musculatura
lisa e tranqüilizantes também podem
ser considerados. O animal deve ser mantido com
colar elisabetano até a retirada dos pontos.
A castração deve ser considerada
no intuito de prevenir quadros de recidiva, principalmente
nos casos associados com ereção
ou excitação sexual.
O presente trabalho objetiva mostrar os bons resultados
do tratamento cirúrgico no manejo de prolapso
de uretra, e da importância da orquiectomia
como prevenção de recidiva do quadro.
Relato de caso
Foram atendidos no Hospital Veterinário
Pet Care 3 cães da raça Bulldog
Inglês, machos, intactos, com idades entre
9 meses e 3 anos e 6 meses, com peso corporal
entre 20 e 29 kg, todos apresentando sinais de
hemorragia peniana intermitente, sem sinais de
disúria ou hematúria. Segundo os
proprietários, o sangramento era observado
durante os períodos de excitação.
Ao exame físico todos os animais apresentavam-se
dentro dos parâmetros normais. Nenhuma lesão
foi observada em prepúcio. Em um dos cães,
podia ser observado sangue coagulado na região
próxima ao prepúcio. À palpação
retal, a próstata encontrava-se pequena
e indolor. Nos 3 casos, quando o pênis foi
exposto pode-se observar a presença de
uma massa avermelhada na extremidade do pênis.
Não havia evidências de inflamação
ou neoplasia.
A redução do prolapso não
foi passível de ser realizada em nenhum
dos cães, sendo todos submetidos à
ressecção cirúrgica do prolapso.
Em apenas um dos cães não foi realizada
orquiectomia por decisão do proprietário.
Os animais foram pré-medicados com Acepran
0,2% na dose de 0,05mg/kg e Dolantina 2mg/kg,
por via intramuscular. Após 15 minutos
foi realizada tricotomia na região e o
animal foi levado à sala cirúrgica,
sendo realizada a indução anestésica
com Propofol e anestesia geral inalatória
com Isofluorano, por sonda orotraqueal, em sistema
semi-fechado. Após serem colocados em decúbito
dorsal, o pênis foi mantido exposto e feita
anti-sepsia com clorhexidine diluído. O
prolapso foi preso por uma pinça hemostática
e tracionado, sendo realizada incisão através
das mucosas uretral e peniana, liberando assim
o prolapso. Procedeu-se então a cateterização
vesical com uma sonda uretral para auxiliar a
sutura da uretra. A incisão da mucosa uretral
e sua sutura à mucosa peniana foram feitas
em pequenas porções para que não
houvesse retração da uretra. Utilizou-se
a sutura simples separada com fio náilon.
Após a remoção do prolapso,
em dois animais procedeu-se à orquiectomia
pré-escrotal de rotina.
Os animais foram medicados no pós-operatório
com Enrofloxacina 5mg/kg BID, cloridrato de tramadol
2mg/kg TID e colar elisabetano até a retirada
de pontos. Dez dias após a cirurgia os
pontos foram retirados e os animais receberão
alta médica.
Discussão
Poucos casos de prolapso uretral têm sido
relatados na literatura. O aumento da incidência
desta afecção em cães da
raça Bulldog Inglês pode indicar
a predisposição congênita
ou defeito genético.
Apesar da possibilidade de realizar a redução
do prolapso e sutura em bolsa de fumo grande parte
dos animais necessitam tratamento cirúrgico
para correção do prolapso.
No único cão em que não foi
realizada a orquiectomia, houve recidiva do quadro
2 meses após o animal ter recebido alta
médica. Foi então necessário
realizar nova intervenção cirúrgica
com ressecção do prolapso e orquiectomia.
Alguns autores indicam a realização
da orquiectomia, mas a eficácia do tratamento
à base de hormônios e orquiectomia
para quadros de prolapso uretral têm sua
eficácia ainda questionada5.
Referências
01-HOBSON, H.P. Fisiopatologia cirúrgica
do pênis. In: BOJRAB, M.J. Mecanismo das
moléstias cirúrgicas dos pequenos
animais. 2. ed, Manole Ltda, cap.80, p.645-53,
1996.
02-SMITH, C. W. Afecções cirúrgicas
da uretra. In: SLATTER, D. Manual de cirurgia
de pequenos animais. 2 ed., Manole Ltda, cap.107,
p.1737-49, 1998.
03-BOOTHE, H.W. Pênis, prepúcio e
escroto. In: SLATTER, D. Manual de cirurgia de
pequenos animais. 2ed. Manole Ltda, cap.98, p.1593-606,
1998.
04-McDONALD, R.K. Urethral prolapse in a yorkshire
terrier. The Compendium on Continuing Education
for the Practicing Veterinarian., v.11, p.682-83,
1989.
05-SINIBALDI, K.R., GREENE, R.W. Surgical correction
of prolapse of the male urethra in three bulldogs.
Journal of the American Hospital Association v.9,
p.450-53, 1973.
06-FOSSUM, T.W. Surgery of the urinary bladder
and urethra. In: Small Animal Surgery, 1ed., Morby-Year
Book, p.481-515, 1997.
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